sexta-feira, 26 de setembro de 2014



Ô Rio, quem te desenhou?  

Aqui pensando e vendo desse apartamento tantas casas amontoadas, ouvindo as reclamações, gritos, telefones, campainha tocando, ouve-se até os sussurros dos meus tão breves "vizinhos", de tão perto que estamos. Uma vida agitada lá fora, passos apressados em busca da satisfação apenas de si. Pessoas solitárias imergidas nessa multidão, vivendo de coleções, saudando velharias, papéis, fotos, embalagens antigas e uma inumerosidade de loucuras. As canções passam por Tim Maia, Vinicius de Moraes, Elis Regina, e outros nomes mais, desses que fazem do RJ capital cultural. Nesse belo recinto me sinto aprisionada, não conheço códigos, só ouço passos, carros e buzinas. As horas passam depressa, parecem com a pressa do próprio carioca. Quando percebo já estamos em um horário que na minha opinião é a melhor hora, momento para refletir, às 17 horas. Por aqui a brisa matinal permanece durante todo o dia, isso é um presente divinal, que talvez os ocupados dessa cidade nem se importem. 
É interessante pensar nessa cidade, um olhar fixo, me fazendo viajar. Ei Rio de Janeiro... tem uma caboclinha a te contemplar.




Naquela madrugada
já se esvaía o ânimo
a euforia
que antes tomava conta dos passos
se transformou em tédio
em cansaço
imagens e sons
existentes à noite que antecedeu o sereno
já não faziam
e não fazem
a mínima importância
estava exausto e faminto.

Fatos
uma sequência imediata de fatos
conspiraram
para que duas almas
dois diferentes espíritos
com diferentes trajetórias
lograssem alinhar suas janelas
permitindo o recíproco apreciar
das dependências internas de suas moradas
instigando-os a ir mais longe
a adentrar, ambos, em seus templos.

O projeto superior estava traçado
nada poderia alterar o curso daquele plano
que em tudo era singular, desde o começo
dissociado do convencional
dos encontros originados do nada
de uma falsa realidade factível
ou mesmo da abjeta virtual.

A natural ausência de luz
ante o adiantar da hora
foi incapaz de ofender
a sintonia
que se estabelecia
tão fina e perfeita
que mui rapidamente
e de inopino
fez com que o mundo
naquele irretocável momento
parasse, completamente de girar.                  

No limiar
olhares de curiosidade
havia concentração
necessitávamos, de fato
nos contemplar
pois aquela madrugada
só nos havia legado
a lembrança de luminosos sorrisos
e de um transpassante abraço.



O durante
foi ainda mais incrível
abdicamos do mundo
da nossa realidade
passamos a nos dedicar
a coisas lúdicas
meu ato heroico
de conhece-la
livrando-a do mal
como me relataste
agora era uma dívida
a ser resgatada
sem sua alma
não havia de lograr
dissipar as infelizes hostes espirituais
que me aborreciam
impedindo-me de sonhar.

O veículo da vida
em cursos d’água
no topo da América do Sul
ganhou
com nossa presença
uma amplitude significativa maior
mais profunda e espiritual
pois, de fato
em alguma noite
do norte do Brasil
fomos uma obra de arte
emoldurados pela luz da lua
às margens de um buritizal
imersos num rio de águas mornas e areia quente.

Nosso amor é único
é um amor de odores
um amor de líquidos
aquoso
algo sublime
capaz de separar
nosso espírito da carne
representando a perfeição
da obra do Criador
conquanto somos perfeitos
antes, durante e depois
do nosso
que é único
amor.



O plano foi perfeito
nem os contratempos
que brotaram numa sequência odiosa e terrível
foram aptos a desfazer o concerto
que Deus havia planejado
para nós dois
desde a fundação do mundo

No dia mais importante da minha vida
em que decidi obedecer à Deus
foi imensa minha alegria
quando soube que
havia entrado na águas
logo após você
quão emocionado me encontrava
fiquei estático
pois não sabia, sequer
que estavas naqueles átrios.

Hoje
tenho que Deus
com sua infindável sabedoria
nos preparou um caminho
de santidade e alegria
vivemos outro momento
é tempo de estancar

o choro e o sofrimento.

Autoria: M.L.F.G

Do meu grande amor, para mim!


quarta-feira, 4 de junho de 2014

                                               Esqueci

 Todo o teu sorriso eu joguei fora ...
Como quem joga um vaso de plantas que já não se coleciona mais
Todo o teu abraço eu despistei e lancei mão
A tua boca, o teu beijo eu esqueci
Já não és o meu desejo.